quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Episódio 1: SAO PAULO

Tudo comecou (sim, acostumem-se à ausencia da cedilha e do circunflexo, já que estas cosas no existen por estas bandas de acá) quando ele teve uma crise, largou tudo, deu uma de Che Guevara de quinta categoria e veio parar en otros paises. Agora, ele dá as notícias por completo.

Bueno, até o momento tudo correu normalmente. O planejado era passar uma noite em Sao Paulo para tornar a viagem até Buenos Aires mais agradável e menos intensa. O que eu nao esperava era que Sao Paulo fosse o primeiro marco da viagem.

O fato e que Sao Paulo (o San Pablo, como es llamada en Argentina) é uma cidade que mexe com todos os meus sentidos. A palavra urbano por lá tem um peso muito maior do que em qualquer outro lugar por onde eu já tenha passado. Gente indo para todos os lados com pressa, muita pressa, em um lugar que oferece tudo de uma vez. Ou melhor, em um lugar que te esfrega na cara todas as coisas que chamamos de Brasil (e que - importante - nao sao uma só).


Na Avenida Paulista.
E foi por isso que Sao Paulo nao se deixou ser apenas uma cidade-dormitório para o começo da minha viagem. Que ingenuidade a minha... Aquele lugar pega a gente pelo laço (¡achei um Ç perdido aqui!). Entre o programa cultural (Museu da Língua Portuguesa que, claro, me emocionou), o momento-natureza (Instituto Butantan - ou "se veja rodeado de serpentes por todos os lados"), os passeios de metrô e os almoços no Bexiga e Liberdade, percebi que o paulistano tem uma carência que me atrai - aquela que nao o faz retribuir um olhar no metro ou substituir a frieza de um terminal rodoviario por uma conversa de 5 minutos. E percebi também que os paulistanos avançam 15 sinais por minutos e dirigem como kamikazes (essa parte foi brincadeira, Ju!). Enfim, nao interessa. Sao Paulo é um lugar incrível. Ponto final. Gabi, obrigado pela hospedagem e companhia de irma. Amanda, foi ótimo te conhecer! Já baixou todas as minhas informaçoes no orkut? Hahaha!
No Instituto Butantan. Percebam as minhas amiguinhas logo atrás de mim.
Amanda, Gabi, eu e a Ju, que tem o chuveiro mais gostoso do continente. A foto è num bar na Mooca, momentos antes de eu embarcar para Buenos Aires.

Após passar algumas horas na companhia da Juliana, que me salvou com um banho quentinho, uma hospitalidade mais que mineira e com uma companhia ótima na rodoviária do Tiete, entrei no onibus. Dali para frente, achei que encararia a solidao (de certa forma desejada), e assim fiz, ate os vinte minutos de viagem. Depois disso, passei algumas horas conversando com duas sacoleiras que adoravam Fernando Pessoa.
No ônibus mágico. Foto tirada pela Giselle.
No dia seguinte, vi que dizer "Viajar sozinho é bom mas demora mais" pode te render uma companhia incrível - uma porteña chamada Giselle que me surpreendeu com a gentileza durante toda a viagem. Também conheci uma brasileira chamada Gizelle (acho que o nome é popular por aqui), desta vez com z, que se casou com um porteño e vai a Buenos Aires de vez em quando desde entao. E lá estava eu, na sozinho, em Misiones, território argentino, num calor de 45 graus, jantando em uma mesa com 3 argentinos que insistiam em falar português comigo. Todos pessoas fantásticas. Fazia tempo que eu nao me sentia tao bem acolhido. Gizelle e Juan, vocês sao umas figuras! Espero um dia revê-los em um outro Crucero del Norte! Giselle, sin palabras. Você foi uma companheira de viagem incrível.
Foto que tiramos na parada do ônibus mágico em algum lugar da província de Misiones, já em território argentino. Da esquerda para a direita: Juan, Gizelle, Giselle, eu e uma outra brasileira que entrou na foto de supetón. O calor era forte - mas nada que um pouco de Quilmes nao resolvesse.

Giselle, a melhor companheira de viagem da América do Sul.

O onibus mágico nao teve nada de mais, a nao ser pelos tres andinistas que iam escalar o Aconcágua, pelos dois brasileiros que futuramente viriam a me salvar em Buenos Aires, pelo belorizontino que vinha à Capital Federal para montar um carro que o levaria por toda a Patagonia e pelo por-do-sol mais lindo que ja vi em toda a minha vida. Pois é, ainda bem que eu nao vim de aviao.

E entao eu cheguei em Buenos Aires. Mas isso fica pro episódio 2.

Um beijo enorme a todos e ¡FELIZ AÑO!

Tiago.